Sempre acreditei na força do acaso. Do encontro casual com Ana Glafira e a rápida visão da sua instigante fotografia, surgiu a possibilidade de trazer para a EBEC Galeria de Arte esta surpreendente mostra de três artistas alagoanos. Fotos, e-mails e textos recebidos não eliminaram o impacto dos trabalhos impregnados da aura especial de cada um dos artistas, evidenciando o desvelo, entusiasmo e seriedade de propósitos que impulsionam suas carreiras.
A originalidade da fotografia de Ana Glafira se destaca pela sua percepção, descobrindo nos detalhes do ambiente que a cerca, os elementos essenciais para compor a estética rigorosa do seu estilo. Se numa fase anterior a artista se aproximava da pintura, revelando nas fotos um construtivismo quase minimalista, nessa mostra ela recorre à força das palavras para reforçar um conceito, inspirado no significado que construiu ao parti-las, e exaltado no visual sempre coerente.
Essas fotografias ela tirou na sua rua, numa noite de são João. As cores são as que a noite pintou. Com elas AG nos ensina a ver o que está evidente e passa despercebido.
Tchello é dono de texto escorreito e artista gráfico. Maneja formas e cores com a correção da sua prosa, e a poesia dos versos que compõe. O interesse pelo labirinto foi despertado ao traduzir ninguém menos que Jorge Luis Borges, daí passou a ver como eles se apresentavam em diferentes formas e lugares inusitados, dos jogos de criança às naves e adros de velhas catedrais européias.
Transpor nas suas infogravuras os labirintos que a teia da vida estabelece, foi decorrência natural. Nas gravuras eles se configuram variados e coloridos, as formas vão se arrumando nos diversos padrões, a atração das cores conduz o olhar do espectador que se entretêm em compará-las, querendo encontrar a preferida. A proposital apresentação sem qualquer ordem predeterminada favorece essa leitura que privilegia a espontaneidade própria da arte gráfica.
Quando poucos artistas se dispõem a encarar a arte tridimensional, Fredy Correia nos apresenta o estilo marcante de suas esculturas em aço inoxidável. Atento para ritmo e equilíbrio no espaço, o artista cria formas que sugerem sem explicitar os motivos: figuras femininas, aves, peixes, são analogias coerentes com o realismo contemporâneo de suas esculturas.
Explorando com segurança a qualidade inerente ao material, as cores se refletem em suas peças em diferentes gradações que acompanham as curvas, ampliando a atração e acolhida que têm recebido por onde passam.
Matilde Matos
(da ABCA e AICA)

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