A simples menção da floresta amazônica e do rio/mar agita a imaginação do brasileiro. Nós inconscientemente os reverenciamos, sentindo no fato deles existirem no nosso território a premonição de um futuro mais justo.
A visão da mostra muito especial da fotografia de Carlos Carvalho exposta na EBEC Galeria de Arte até 11 de Setembro, e a leitura do livro ‘Historia Social da Borracha’ com outras 43 fotos e legendas explicativas, mostram como esse sonho pode se tornar real, a partir do profundo respeito e entendimento da natureza que a geração Chico Mendes implantou e os seringueiros se empenham em defender.
Gosto da realidade sócio/ambiental da fotografia de Carlos Carvalho. São fotos dos seringueiros da Reserva Extrativista Chico Mendes, que mudaram o rumo do fotógrafo carioca Carlos Carvalho, também formado em artes plásticas, cuja índole humanitária revelou-se primeiro no foto jornalismo, que o levou à Amazônia. A lida dos seringueiros do Acre o fez encarar a verdade da fotografia como o meio ideal que seu temperamento altruísta exigia. Empenhado em divulgar como se pode usufruir “da maior, mais bela e mais generosa floresta do mundo”, mantendo-a em pé e respeitando seu ritmo e sua biodiversidade, CC ficou uns dez anos, construindo com dedicação sua obra exemplar que vem correndo o mundo, atraindo a atenção de quem vê suas fotos.
O tema é responsável pelo impacto dessa mostra, assegurado no domínio absoluto da técnica, mas é na escolha do momento exato atento às expressões, ao cenário, aos ângulos e onde incidem luz e sombras, que o artista nos passa a emoção que o motivo lhe desperta, e confere destaque maior à sua fotografia.
Matilde Matos
(da ABCA e AICA)

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