IconeGaleria Ebec - Crítica - por Matilde Matos

Quatro em foco    
Arte em desenvolvimento

Há uma saudável divergência nos processos criativos dos artistas desta exposição, que se unem no mesmo propósito: cada um busca entender a influencia ancestral que define seus motivos, para traduzir na linguagem visual,  como  percebem e sentem esse atavismo hoje.

Edison da Luz relata-se à sua origem, nesses quadros raros de se ver: o artista privilegia a idéia, efetivada em objetos e ambientações, ou trabalha a madeira em xilogravuras e esculturas, nunca expõe pintura. Nesta mostra apresenta pinturas sobre tela e papel – expressiva e original – , com destaque para a figura humana que carrega a sua marca inconfundível e o olhar de hoje,  no modo sem qualquer retoque como fixa verdadeira a expressão, e nunca se repete.                     

Natural de Rondônia e ex-seringueiro, a densa floresta com sua fauna e flora especifica foi a referencia primordial da infância de Jair Gabriel. Se faz na pintura a representação do que viu,  na sua técnica elaborada de difícil execução, repete a multiplicidade de elementos e variedade de cores que via na floresta, no mesmo modo sutil de encontrar espaço sem desobedecer a geometria da  natureza. 

Juçara Freire ainda não teve o tempo suficiente que dá ao artista o apuro, no desenvolvimento do seu  processo -  vem trabalhando a pintura  com o grupo há pouco tempo -  mas sabe  da importância da sua marca pessoal, na abstração  que ressalta os artifícios da própria  pintura para criar um visual atraente.

No incomparável abstracionismo de Terciliano Jr., se lê clara interpretação dos motivos que o levaram para a arte, desde os seus primeiros quadros: a religião dos seus ancestrais.  Partindo de bem executados Orixás, o artista foi substituindo a figuração pelos símbolos materiais, depois  a representação  pela pura interpretação do  espiritual, nessa pintura que reverencia com  desvelo. Terciliano  explora cada centímetro  da tela  com cores bem trabalhadas em diferentes texturas,  servindo-se do branco e do preto em grafismo superpostos  à pintura sem jamais a macular. Embora baiano da gema, sua pintura é mais conhecida no exterior, onde acaba de receber o prêmio Médaille de Vermeif da Societé Académique des Artes, Sciences et Lettress.   

 

Matilde Matos
(da ABCA e AICA)

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