Há uma saudável divergência nos processos criativos dos artistas desta exposição, que se unem no mesmo propósito: cada um busca entender a influencia ancestral que define seus motivos, para traduzir na linguagem visual, como percebem e sentem esse atavismo hoje.
Edison da Luz relata-se à sua origem, nesses quadros raros de se ver: o artista privilegia a idéia, efetivada em objetos e ambientações, ou trabalha a madeira em xilogravuras e esculturas, nunca expõe pintura. Nesta mostra apresenta pinturas sobre tela e papel – expressiva e original – , com destaque para a figura humana que carrega a sua marca inconfundível e o olhar de hoje, no modo sem qualquer retoque como fixa verdadeira a expressão, e nunca se repete.
Natural de Rondônia e ex-seringueiro, a densa floresta com sua fauna e flora especifica foi a referencia primordial da infância de Jair Gabriel. Se faz na pintura a representação do que viu, na sua técnica elaborada de difícil execução, repete a multiplicidade de elementos e variedade de cores que via na floresta, no mesmo modo sutil de encontrar espaço sem desobedecer a geometria da natureza.
Juçara Freire ainda não teve o tempo suficiente que dá ao artista o apuro, no desenvolvimento do seu processo - vem trabalhando a pintura com o grupo há pouco tempo - mas sabe da importância da sua marca pessoal, na abstração que ressalta os artifícios da própria pintura para criar um visual atraente.
No incomparável abstracionismo de Terciliano Jr., se lê clara interpretação dos motivos que o levaram para a arte, desde os seus primeiros quadros: a religião dos seus ancestrais. Partindo de bem executados Orixás, o artista foi substituindo a figuração pelos símbolos materiais, depois a representação pela pura interpretação do espiritual, nessa pintura que reverencia com desvelo. Terciliano explora cada centímetro da tela com cores bem trabalhadas em diferentes texturas, servindo-se do branco e do preto em grafismo superpostos à pintura sem jamais a macular. Embora baiano da gema, sua pintura é mais conhecida no exterior, onde acaba de receber o prêmio Médaille de Vermeif da Societé Académique des Artes, Sciences et Lettress.
Matilde Matos
(da ABCA e AICA)

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